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Depressão refratária – mecanismos e eficácia da terapia comportamental dialética radicalmente aberta (RefraMED): resultados de um estudo randomizado sobre benefícios e danos

Depressao refrataria na RO DBT

Refractory Depression – mechanisms and efficacy of radically open dialectical behaviour therapy (RefraMED): findings of a randomised trial on benefits and harms.

Thomas R. Lynch, Roelie J. Hempel e cols. The British Journal of Psychiatry, 2018.

Introdução:

Apenas 30-40% dos pacientes deprimidos tratados com medicamentos atingem a remissão completa. Estudos que utilizam a mudança de medicação ou aumentam a psicoterapia alcançam apenas benefícios limitados, em parte, porque os tratamentos atuais não são projetados para pacientes crônicos e complexos.

Ensaios anteriores excluem pacientes de alto risco e aqueles com comorbidades de transtornos de personalidade. A Terapia Comportamental Dialética Radicalmente Aberta (RODBT) é um tratamento transdiagnóstico inovador para transtornos emocionais do supercontrole. O ensaio REFRAMED visa avaliar o eficácia e custo-efetividade de RO-DBT para pacientes com depressão resistente ao tratamento.

Método:

Projeto:

O Projeto RefraMED (traduzido livremente como: Mecanismos e eficácia da Terapia Comportamental Dialética Radicalmente Aberta na depressão refratária) foi um estudo foi um estudo randomizado  que ocorreu de forma paralela em três centros que comparou RO DBT x tratamento usual (TAU) e com TAU sozinho (registro do estudo: ISRCTN 85784627). 

Participantes:

Os pacientes elegíveis para o estudo RefraMED deveriam apresentar os seguintes critérios: ter 18 anos ou mais; QI maior de 70; falar inglês bem o suficiente para participar; ter diagnóstico atual de transtorno depressivo maior de acordo com a Entrevista Clínica Estruturada para DSM-IV-TR (SCID) –I e ter escore de 15 ou mais na Escala de Avaliação Hamilton para Depressão (HRSD).

Como a RO DBT foi desenvolvida, especificamente, para pessoas supercontroladas, pessoas com diagnóstico de transtorno bipolar, psicose, personalidade dramática- errática cluster B na SCID-II, diagnóstico de uso e abuso de substância ou que estivesse recebendo ou aguardando atendimento em DBT Padrão.

Os pacientes foram recrutados em três Centros Nacionais de Saúde (National Health Service – NHS).

Intervenção em RO DBT

RO DBT é uma terapia transdiagnóstica projetada para abordar um espectro de transtornos que são difíceis de tratar, principalmente a depressão crônica. A RO DBT difere de outras psicoterapias, notadamente, por estimular o vínculo social por meio da expressão emocional. No momento do ensaio, RO DBT compreendeu 29 sessões semanais de terapia individual, cada uma com duração de uma hora, e 27 aulas de treinamento de habilidades, cada uma com duração de 2,5 h.

Embora os pacientes continuassem a receber medicação antidepressiva conforme prescrito, nós os desencorajamos fortemente de procurar psicoterapia adicional durante RO DBT.

Resultados:

Os sintomas depressivos em ambos os grupos melhoraram continuamente desde o início até 18 meses. Ao final da terapia em sete meses, RO DBT reduziu substancialmente os sintomas depressivos em relação ao TAU em 5,40 pontos HRSD (IC de 95% 0,94–9,85; tamanho do efeito 1,03; P = 0,02).

O grupo RO DBT manteve sua melhora nos sintomas depressivos em 12 e 18 meses, mas o grupo controle apresentou melhora após 7 meses, reduzindo a diferença entre os grupos. A diferença de 2,15 pontos HRSD em 12 meses excedeu nossa meta anterior de 2 pontos, mas não foi estatisticamente significativa (IC 95% -2,28 a 6,59; tamanho do efeito 0,41; P = 0,29). Aos 18 meses, a diferença caiu para 1,69 pontos HRSD (IC 95% -2,84 a 6,22; tamanho do efeito 0,32; P = 0,42). Assim, nossos contrastes planejados revelaram uma diferença estatisticamente significativa entre RO DBT e TAU após 7 meses, mas não após 12 ou 18 meses.

Depressao refrataria na RO DBT grafico

Para ler o estudo completo: Refractory depression – mechanisms and efficacy of radically open dialectical behaviour therapy (RefraMED): findings of a randomised trial on benefits and harms | The British Journal of Psychiatry | Cambridge Core.

Para consultar o gráfico, clique aqui.

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Escrito por Juliana Massapust

Doutora em Neurociências pela UFF. Psicóloga pela UFRJ. Certificação em Terapia Comportamental Dialética (Behavioral Tech) e em Terapia Comportamental Dialética Radicalmente Aberta (Radically Open) e Treinamento de Habilidades em DBT (Vincular). Gestora da RO DBT Brasil. Aperfeiçoamento em Terapias Contextuais, Formação em Terapias Contextuais, em Transtornos Alimentares e Obesidade e Terapia Cognitivo Sexual.

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