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Visão geral dos 3 capítulos iniciais do livro “Radically Open Dialetical Behavior Therapy” (Lynch, 2018)

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Imagem por Roman Trifonov via Unsplash.

As características relacionadas ao supercontrole tendem a ser valorizadas pela sociedade, visto que esta enfoca a produtividade, logo alguém que adia as gratificações imediatas em prol de seus objetivos é visto de uma maneira positiva. No entanto, o excesso de autocontrole traz muitos prejuízos para o indivíduo que o possui, dificultando que consiga se conectar com as pessoas, o que leva ao isolamento social. O que é intensificado por sua dificuldade de demonstrar suas emoções de forma verdadeira, prejudicando a formação de laços sociais.

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Nesse sentido, o supercontrole pode ser caracterizado por 4 déficits principais:

– Baixa abertura ao novo, visto que não quer correr riscos e lidar com incertezas;

– Baixa flexibilidade de controle, necessidade de que tudo seja ordenado e estruturado;

– Inibição emocional, muitas vezes se expressa de forma incoerente para a situação;

– Baixa conexão social, dificuldade de ter relacionamentos próximos e íntimos.

Portanto, o tratamento da Terapia Comportamental Dialética Radicalmente Aberta (RO-DBT) irá focar no relaxamento do controle e aumento da espontaneidade, a fim de aumentar a abertura, flexibilidade e conexão social.

O modelo neurorregulatório preconiza que de acordo com a forma como interpretamos determinado estímulo ativamos um sistema emocional dentre 5 opções:

– No sistema de segurança social você está mais aberto, relaxado, sentindo desejo de conexão social. É algo mais difícil em pessoas supercontrolados, mas é algo que pode ser modelado através de expressões faciais e corporais, o que é uma habilidade ensinada em RO-DBT.

– No sistema de novidade você avalia se aquele estímulo é importante ou não, então você está se preparando para fazer o que a sua avaliação sugerir, o que desencadeará uma mudança para outro sistema.

– O sistema de recompensa está relacionado à excitação, quando ativado você foca naquilo que é recompensador e muitas vezes ignora outros estímulos que não têm relação com a recompensa.

No sistema de ameaça você avalia os estímulos como perigosos e está relacionado com sistema de luta ou fuga, e com isso sua sinalização também fica prejudicada.

–  No sistema de sobrecarga, que seria quando a recompensa ou ameaça está muito alta, há um desligamento de certa forma, ficamos sem expressão, podemos desmaiar.

 Mudamos continuamente de um sistema para o outro de acordo com a nossa sinalização social, assim com a RO-DBT podemos aprender a ativar um sistema que será mais benéfico para determinada situação.

Por fim, para realizar um bom tratamento é fundamental diferenciar se o indivíduo é subcontrolado ou supercontrolado, visto que as intervenções irão diferir muito entre eles. Assim escalas e a condução da entrevista clínica com perguntas pertinentes podem auxiliar muito nessa tarefa. Afinal, só faz sentido uma abertura radical para quem está fechado, seguindo regras rígidas e com dificuldade de ser espontâneo.

Escrito por Lorena Araújo

Estagiária CAAESM e RO-DBT Brasil.

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